Resposta a Halter Johannes

Meu comentário é um adendo e um questionamento geral à nossa atuação como comunistas, não necessariamente à declaração em si. Dito isso, há algumas questões que podem ser levantadas em relação a crítica em si. Entendo que busquem e clamem por um programa mais explícito com nossas intenções revolucionárias, porém, como acredito que o próprio formulador do texto entende, tais detalhes podem assustar um eleitorado que ainda não compreende o conceito de “revolução”, ou foi condicionada a acreditar que “revolução” é sinônimo de “massacre”. Sendo assim, atuar de maneira mais estratégica é sim um ponto a ser apreciado, e se mostrou um dos maiores motivos da nossa falta de crescimento expressivo na nossa própria classe. Sim, crescemos. Mas, em grande maioria, nós “pregamos para convertido” e constantemente assustamos possíveis membros, os entregando de bandeja para a esquerda hegemônica, mais moderada e com um discurso mais bonito.


Por favor, entenda. Em nenhum momento questiono a teoria e necessidade de uma revolução, mas questiono nossos métodos de chegar até ela. Estratégia nunca foi e não deveria ser um pecado para os comunistas, precisamos aprender com nossos adversários (tanto do lado oposto, quanto da esquerda reformista) a conquistar corações e mentes. E chegar chutando a porta não é o caminho.
Eu, assim como diversas outras pessoas, não cresci tendo educação marxista, nem mesmo de esquerda. Me tornei comunista, fruto de uma consciência tardia e condições de estudar sobre o assunto. Nas minhas primeiras tentativas de me enturmar com outros comunistas, dei de cara com um debate aprofundado sobre teoria marxista, com várias palavras que eu sequer entendia na época, saídas para vender jornal físico e discussões sobre leninismo x trotskismo. Nós estamos mais preocupados em estar na vanguarda da revolução do que acolher as bases que tem curiosidade, mas ainda não tem conhecimento teórico suficiente para lidar com a ideia revolucionária.


Por fim, sobre Teoria Monetária Moderna, Marx não queria destruir o capitalismo, mas superá-lo. Essa etapa de superação do capitalismo se daria como o Socialismo, correto? Durante o socialismo, “manchas de nascença” do capitalismo continuariam vivas, afinal, romper de uma só vez todas as estruturas comerciais que alimentam e trazem sustento ao nosso povo, tende apenas a machucar a própria classe trabalhadora. O socialismo então se mostra como uma etapa em que muitas reformas devem ser feitas, e que todas as decisões sejam colocadas na balança, sempre com o objetivo de chegarmos ao comunismo, mas não em passos tão largos a ponto de prejudicar nosso povo. É nisso que quero me apegar. Sim, a China, como exemplificado, tem vários defeitos de gestão. Principalmente, quando falamos de relações internacionais e auxílio a outros povos socialistas que sofrem sob o peso da mão capitalista. Porém, não estão eles, se aproveitando dos resquícios do capitalismo, o superando aos poucos? Não querendo forçar uma transição abrupta ao comunismo em detrimento da própria população?

A esquerda radical tem sim que atacar a raiz do problema (o sistema capitalista em si), e o projeto a longo prazo deve ser a superação do capitalismo através de uma revolução da classe trabalhadora. Porém, a curto prazo, nossa noção de bem-estar da população brasileira deve ser nossa principal luta. É só assim que nossa classe (que tem curiosidade, mas ainda não teve a formação teoria necessária) irá se aproximar. E cabe a nós, como já comunistas, saber acolhê-los e ter etapas de exposição a teoria mais pesada.


Enfim, peço perdão pelo longo texto. Reconheço que não tenho tanto conhecimento quanto os camaradas e respeito muito seus anos de luta e militância organizada.